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sábado, 12 de dezembro de 2009

Reprodução da vida marinha diminui 25% no planeta

O alerta vem de Copenhague. A culpa é do gás carbônico liberado na atmosfera, dizem os cientistas no encontro sobre o clima.

assista a reportagem:



ou leia, se preferir:

De novo a culpa é dos
combustíveis fósseis, que quando queimados liberam gás carbônico ou dióxido de carbono. Parte desses gases vai para a atmosfera, provocando o efeito estufa.

Outra parte precipita, cai nos mares, e deixa a água mais ácida. Cerca de 30% mais do que antes da Revolução Industrial.

Essa acidez interfere com o sistema natural de navegação das baleias e golfinhos. Eles usam o som para se localizar, e o som ele viaja mais rápido e mais longe em águas ácidas.

Além disso, afeta toda a vida marinha, porque prejudica fortemente a produção de plânctons, organismos muito pequenos que estão na base da alimentação nos mares.

Algas e pequenos crustáceos podem não resistir, e como elas alimentam as espécies que servem de alimento para nós, humanos, como as sardinhas e o salmão, essas espécies correm risco de extinção.

Para garantir que esse alerta não vai ficar confinado nas paredes do centro de convenções de Copenhague, os cientistas mandaram imprimir 32 mil cópias do relatório, que serão distribuídas a governantes e legisladores no mundo inteiro.

Os primeiros a receber serão os senadores americanos, que ainda não aprovaram um projeto com metas de redução dos gases.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Emergentes pedem que ricos assinem lei de emissões


Os principais países emergentes do mundo querem que seja anexado ao Protocolo de Kyoto uma emenda “com força de lei”. A China lidera o grupo que pede que os países desenvolvidos reduzam 40% das emissões de gases causadores do efeito estufa, com base nos índices de 1990.

As informações foram retiradas de um documento ao qual a agência “France Presse” teve acesso. O rascunho foi finalizado em 30 de novembro em um encontro fechado em Pequim que reuniu China, Brasil, Índia e África do Sul. Esta é uma resposta dos países em desenvolvimento a outro acordo apresentado pela Dinamarca.

A meta proposta pelo grupo é não deixar que as temperaturas globais não aumentem mais de 2ºC até 2100. A base para o documento são as temperaturas registradas antes da Era Industrial. Os países desenvolvidos concordam com a meta pedida. No entanto, o grupo pede que os países ricos multipliquem por oito, até 2020, a promessa de reduzir as emissões de CO2 em 5% até 2012.

Alemanha ativa supercomputador para estudar mudança climática


'Blizzard' tem a missão de calcular futuras alterações e catástrofes no clima.

É o maior supercomputador destinado à pesquisa climática.

O Centro Alemão de Cálculo Climático (DKRZ, na sigla em alemão) colocou nesta quinta-feira (10) em funcionamento o supercomputador "Blizzard" (Nevasca), cuja missão será calcular futuras mudanças climáticas e, inclusive, prever todo tipo de fenômenos catastróficos, como furacões ou tornados.

Com um peso de 35 toneladas, o "Blizzard" utiliza em seu trabalho 8.448 microprocessadores, com os quais alcança uma velocidade de 158 teraflops por segundo, o que faz com que seja 60 vezes mais rápido que seu antecessor, e 20 mil vezes mais rápido que um computador convencional.

O arquivo do supercomputador, o maior do mundo para armazenamento de dados climáticos, pode armazenar mais de 60 petabytes, o que equivale a cerca de 13 milhões de DVDs.

Um total de 56 braços robotizados são encarregados de buscar as informações armazenadas em 65 mil contas magnéticas com os dados arquivados pelo "Blizzard", que tem cerca de 50 quilômetros de cabo unindo seus componentes.

Além das mudanças na atmosfera e os oceanos, o "Blizzard" calcula também processos no gelo, na terra e nas vegetações, assim como sua influência no efeito estufa.

O computador teve um custo de 35 milhões de euros, fornecidos pelo Ministério de Investigação e Ciência, enquanto a modernização do edifício que o abriga custou 26 milhões de euros à cidade de Hamburgo.

A metade do tempo de trabalho do computador é dedicada às pesquisas do próprio DKRZ, enquanto a outra metade é utilizada por cerca de 100 de grupos de trabalho científico da Alemanha.

O instituto de Hamburgo reconheceu que o "Blizzard" tem grande consumo de energia, mas ressaltou que toda ela tem origem renovável.

Metade das emissões de gases-estufa do Brasil vem da pecuária, diz estudo

Pegada de carbono’ da carne bovina foi calculada pela 1ª vez,
CO2 emitido por kg custa mais que a própria carne.

A pecuária emite metade dos gases causadores do efeito estufa liberados pelo Brasil a cada ano.

Além disso, implantação de novas pastagens abocanha três quartos da área desmatada na Amazônia e 56,5% no Cerrado.

Os principais dados da pesquisa, cuja íntegra ainda será publicada em revista científica internacional, foram divulgados nesta quinta-feira (10) e serão apresentados em duas reuniões sábado (12) na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP 15 . Os autores (ao todo, dez especialistas) ressaltam que suas conclusões “não representam necessariamente” a posição das instituições em que atuam.

O levantamento verificou que em 2005 a emissão de gases-estufa (GEE) da pecuária representou 48% do total brasileiro. A atividade emitiu 1,055 bilhão de toneladas de GEE sobre 2,203 bilhões do total nacional, número do tão esperado inventário brasileiro de emissões, divulgado só recentemente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia .

Clique aqui para baixar o inventário em pdf.

Ocorre que no inventário oficial as emissões são divididas por grandes grupos, como energia, processos industriais, mudança no uso da terra e florestas etc. “A diferença desse estudo em relação às abordagens estatísticas tradicionais é que elas dividem as emissões por categorias, e nossa abordagem é pela cadeia de um produto específico”. “Então ela é transversal, porque envolve uso da terra e fermentação entérica (basicamente, arroto de boi e vaca), por exemplo, processos que estão separados no inventário.”

Assim, é a primeira vez que a chamada “pegada de carbono” de um produto específico, no caso a carne bovina, é calculado. Pegada de carbono é a quantidade de gás-estufa liberada direta ou indiretamente por uma certa atividade. O interessante desses dados é que eles podem começar a traduzir toda a situação para o consumidor.

Essa é a diferença de ter números sobre categorias e números sobre produtos: 1 quilo de carne industrializada significa 300 quilos de gás-estufa emitido, e esses 300 kg custam R$ 10 no mercado de carbono. É mais do que o custo da própria carne por quilo no atacado (o kg do dianteiro custa R$ 3,60; do traseiro, R$ 5,90)”, disse o especialista.

Ou seja: Frigorífico pode fazer mais dinheiro vendendo redução de carbono do que vendendo a própria carne.

Metade das emissões de gases-estufa do Brasil vem da pecuária, diz estudo

‘Pegada de carbono’ da carne bovina foi calculada pela 1ª vez.
CO2 emitido por kg custa mais que a própria carne, comenta pesquisador.

  • Aspas

    Frigorífico pode fazer mais dinheiro vendendo redução de carbono do que vendendo a própria carne"

A pecuária emite metade dos gases causadores do efeito estufa liberados pelo Brasil a cada ano.

Além disso, implantação de novas pastagens abocanha três quartos da área desmatada na Amazônia e 56,5% no Cerrado.

Resultado de cinco meses de trabalho, os números, inéditos, são de estudo coordenado por Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira.

Os principais dados da pesquisa, cuja íntegra ainda será publicada em revista científica internacional, foram divulgados nesta quinta-feira (10) e serão apresentados em duas reuniões sábado (12) na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP 15 . Os autores (ao todo, dez especialistas) ressaltam que suas conclusões “não representam necessariamente” a posição das instituições em que atuam.

Foto: AFP/Antonio Scorza 28-11-2009

O levantamento verificou que em 2005 a emissão de gases-estufa (GEE) da pecuária representou 48% do total brasileiro. A atividade emitiu 1,055 bilhão de toneladas de GEE sobre 2,203 bilhões do total nacional, número do tão esperado inventário brasileiro de emissões, divulgado só recentemente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia .

Clique aqui para baixar o inventário em pdf.

Ocorre que no inventário oficial as emissões são divididas por grandes grupos, como energia, processos industriais, mudança no uso da terra e florestas etc. “A diferença desse estudo em relação às abordagens estatísticas tradicionais é que elas dividem as emissões por categorias, e nossa abordagem é pela cadeia de um produto específico”, explicou Smeraldi ao G1. “Então ela é transversal, porque envolve uso da terra e fermentação entérica (basicamente, arroto de boi e vaca), por exemplo, processos que estão separados no inventário.”

  • Aspas

    1 quilo de carne industrializada significa 300 quilos de gás-estufa emitido, e esses 300 kg custam R$ 10 no mercado de carbono"

Assim, é a primeira vez que a chamada “pegada de carbono” de um produto específico, no caso a carne bovina, é calculado. Pegada de carbono é a quantidade de gás-estufa liberada direta ou indiretamente por uma certa atividade. “O interessante desses dados é que eles podem começar a traduzir toda a situação para o consumidor, a dona de casa, o investidor”, comentou Smeraldi, que viaja hoje para Copenhague.

“Essa é a diferença de ter números sobre categorias e números sobre produtos: 1 quilo de carne industrializada significa 300 quilos de gás-estufa emitido, e esses 300 kg custam R$ 10 no mercado de carbono. É mais do que o custo da própria carne por quilo no atacado (o kg do dianteiro custa R$ 3,60; do traseiro, R$ 5,90)”, disse o especialista.

Surge a proposta por um ‘fundo verde’


Seriam bilhões de dólares para ajudar os países pobres a combater as alterações climáticas.

A proposta foi apresentada na conferência do clima, em Copenhague, em um documento conjunto assinado por Grã-Bretanha, Austrália, México e Noruega, no qual se diz que “o financiamento terá de ser ampliado significativa e urgentemente, começando rápido e aumentando com o tempo”.

De acordo com a proposta, pelo menos metade do dinheiro arrecadado seria usado para ajudar aos países em desenvolvimento a lidar com secas, enchentes e o aumento do nível do mar. A ONU estima que, no longo prazo, o custo anual do combate ao aquecimento global pode chegar a US$ 300 bilhões.

Palin e Gore em polêmica sobre aquecimento


O ex-vice-presidente e ganhador do prêmio Nobel da Paz, Al Gore, criticou o pedido da ex-governadora do Alasca, Sarah Palin, para que Barack Obama boicotasse a conferência sobre o clima em Copenhague. Palin afirmou que cientistas manipularam dados para provar que o aquecimento global é causado pelo homem.

A ex-governadora se referiu ao caso do vazamento de emails em que cientistas discutiam métodos para manipular os índices de temperatura, no escândalo que ficou conhecido como Climategate. Gore afirmou que o aquecimento global é um fenômeno estudado há 20 anos, e é “como a gravidade. Existe.”

O vazamento dos emails criou uma controvérsia internacional sobre o tema do aquecimento. Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, afirmou que as questões levantadas pelo vazamento dos emails são sérias e serão investigadas.

Câmara aprova projeto que torna lei meta de redução de gases do efeito estufa


Decreto presidencial vai definir ações para alcançar objetivo de redução.
Política Nacional sobre Mudança do Clima prevê meta de até 38,9%.

A Câmara dos Deputados aprovou na madrugada desta quinta-feira (10) a Política Nacional sobre Mudança do Clima. Foi aprovada uma emenda do Senado que define em lei a meta de redução de gases do efeito estufa estabelecida pelo governo federal entre 36,1% e 38,9% até 2020, tendo como base as emissões que seriam feitas até lá.

Caberá ao presidente da República, por meio de decreto, apontar ações que serão realizadas para cumprir o compromisso de reduzir as emissões. Este percentual deverá ser apresentado pelo Brasil na Conferência sobre o Clima que acontece em Copenhague, na Dinamarca, nesta semana.

O texto aprovado pelo Congresso afirma que a meta é um compromisso voluntário e que as ações para se alcançar o percentual almejado terão que atender o Inventário Brasileiro de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo de Montreal, a ser concluído em 2010.

Nesta terça-feira (8), o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que o Brasil vai manter a meta anunciada para o encontro de Copenhague, mas que exigirá financiamento dos países desenvolvidos para cumpri-la.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Confira as emissões e propostas de corte de CO2 de um grupo de países

Histórico de liberação de gás-estufa é do World Resources Institute.
Metas de redução podem ser projetos de lei ou meros anúncios.

Veja mais aqui:


Mudanças climáticas afetam o mapa do planeta

Cientistas usam supercomputador para calcular impactos do aquecimento.
Simulação aponta mudanças no planeta com 3°C a mais.

Assista a reportagem abaixo:


Ou se preferir
, leia:

O topo de uma palmeira é a lembrança de que ali havia terra firme. A ilha de Ghoramara, na Índia, já perdeu metade do território e pode, em breve, sumir da face da Terra. Sete mil habitantes foram embora e outros estão preparando a partida.

No Japão, a ameaça também vem do mar: há sete anos, águas vivas gigantes, de até dois metros de comprimento, infestam algumas regiões litorâneas, prejudicam a pesca e provocam queimaduras nos pescadores. Elas existiam somente na China, mas migraram para o local e se proliferaram.

Um professor da universidade de Hiroshima diz que há várias causas. Entre elas, a elevação da temperatura da água causada pelo aquecimento global.

Na China, os sinais estão no alto das montanhas. As geleiras do Tibete diminuem 20 metros a cada ano desde 1990.

O Japão tem alguns dos centros de previsão e pesquisas climáticas mais avançados do mundo e está usando a tecnologia para descobrir o que vai acontecer com o planeta nos próximos anos. Um globo no museu de ciências de Tóquio mostra o aquecimento da terra até o ano 2100. É uma visão do futuro, um futuro nada animador.

Os cientistas japoneses estão usando um supercomputador, que ocupa um andar inteiro de um prédio, para calcular os efeitos do aquecimento global.

Com isso, eles simulam o que vai mudar em cada ponto do planeta com o possível aumento de 3ºC na temperatura até o fim do século.

Uma das conclusões: o número de tufões na Ásia e de furacões na América do Norte vai cair de 80 por ano, em média, para 66. Em compensação, a força do vento no epicentro vai aumentar em até 20% e as chuvas em até 60%.

Rota
Akio Kitoh, diretor do departamento de pesquisas sobre o clima do Instituto de Pesquisas Meteorológicas, diz que eles também vão mudar de rota. Esse é o próximo passo da pesquisa: descobrir onde os tufões e furacões, mais violentos que os de hoje, vão passar.

Os cientistas japoneses também fizeram previsões para o Brasil. No Nordeste, os dias consecutivos de seca que, segundo ele, hoje são 100 por ano, em média, podem chegar a 130 em algumas áreas. No Centro-Sul do país, as chuvas que castigam a região no verão vão aumentar de intensidade.

O professor diz que parte do aquecimento é inevitável, é um ciclo do planeta, que foi acelerado pela ação do homem. E que, por isso os países têm que se preparar.

“Mas, se queremos diminuir esses efeitos, temos que fazer a nossa parte”, conclui ele.

Bolívia cobra ‘dívida ecológica’ em Copenhague


Evo Morales quer que ricos paguem aos mais pobres pelo excesso de poluição em vez de lhes cobrar a dívida externa.

O presidente boliviano disse que levará a ideia à reunião da ONU sobre mudanças climáticas. Morales considera que os países pobres são os que mais têm sofrido com inundações, descongelamentos e outras consequências do aquecimento global.

Muitos países sul-americanos têm grandes dívidas externas, tanto com nações desenvolvidas quanto com organismos multilaterais. Evo Morales, que culpa as “nações capitalistas” pelo aquecimento global, garante que sua proposta é séria.

Documento vazado provoca caos em negociações


Um documento vazado na última terça-feira, 8, criou caos nas negociações sobre aquecimento global que acontecem desde o início da semana em Copenhague. Conhecido como “texto dinamarquês”, o documento seria um acordo criado por países ricos para tirar a Organização das Nações Unidas (ONU) da negociação e colocar limites sobre as emissões dos países em desenvolvimento.

Supostamente criado pela Dinamarca, Estados Unidos e Reino Unido, o texto dinamarquês não se aproxima da meta de 40% de redução inicialmente proposta pela ONU, mas prevê medidas para ajudar os países pobres com US$ 10 bilhões ao ano de 2012 a 2015.

O texto muda o princípio do Tratado de Kyoto, que responsabilizava países desenvolvidos pelo aquecimento e isentava as nações em desenvolvimento de limites nas emissões de CO2. De acordo com o documento, o Tratado de Kyoto seria abandonado, o Banco Mundial cuidaria das verbas para mudança de clima e países pobres teriam que realizar diversas ações para receber dinheiro para lidar com a mudança climática.

Segundo um diplomata, o documento “é muito perigoso para países em desenvolvimento”. Eles teriam que limitar, até 2050, suas emissões para 1,44 toneladas de CO2 por pessoa, enquanto os países desenvolvidos teriam direito a 2,67 toneladas. A intenção, segundo o diplomata, seria com a chegada de Obama e outros chefes de estado na próxima semana forçar a aceitação do texto dinamarquês sem discussões.

Aquecimento Global se acelera desde 1970


De acordo com uma pesquisa meteorológica cujos dados foram divulgados nesta terça-feira, 8, a temperatura global tem subido desde 1850 e o aquecimento se acelera desde 1970.

Os resultados foram coletados em 1.500 estações meteorológicas que monitoram o clima de todo o mundo. Os dados demonstram que a cada década desde 1970 o aquecimento se acentua.

Hadley Centre, do escritório do Reino Unido, diz ter publicado a informação para evidenciar que o mundo está relamente se aquecendo.

Os registros de cerca de 5 mil estações devem ser divulgados tão logo sejam aprovados pelos proprietários.

Fundo Amazônia aprova os três primeiros projetos na véspera de Coppenhague


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou durante reunião do Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa), nesta quinta-feira (3/12), em Belém (PA), a aprovação dos três primeiros projetos que receberão recursos do Fundo Amazônia. Na próxima semana, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, anunciam outros três projetos agraciados.

Um dos projetos é uma proposta coordenada pela ONG Imazon, em associação com outras ONGs, que receberá R$ 12 milhões para diversos municípios do Pará. O projeto, chamado Municípios Verdes, promoverá o monitoramento, o cadastramento ambiental rural das propriedades, a adequação ambiental das atividades rurais e madeireira, entre outras ações.

Outro projeto é coordenado pela ONG The Nature Conservancy (TNC) e receberá R$ 16 milhões. Em parceira com outras instituições ambientais, serão desenvolvidas ações como recuperação de áreas degradadas, zoneamento ecológico-econômico, entre outras ações que promovam as práticas ambientais em municípios de Mato Grosso, inclusive os situados no Arco do Desmatamento.

O terceiro projeto será coordenado pela Fundação Amazonas Sustentável, do governo do Estado do Amazonas, e receberá R$ 20 milhões. O recurso recebido será revertido em pagamento por serviços ambientais às comunidades extrativistas, seringueiros e quilombolas para a recomposição de áreas ambientais degradadas, melhoria das reservas extrativistas, dentre outras atividades que promovam a conservação ambiental.

O Fundo Amazônia é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e conta com R$ 150 milhões em carteira para mais projetos que serão aprovados em janeiro e fevereiro de 2010 do total de 1 bilhão de dólares que serão aportados até 2015 pela Noruega. O Comitê Orientador do Fundo Amazônia é baseado em Belém, Pará, e reúne representantes dos governos estaduais da Amazônia Legal, do governo federal e de organizações da sociedade civil. O Fundo Amazônia ja tem um estande na COP-15 em Copenhague que começou dia 7.

Para o Ano de 2010, escolha algumas das ações abaixo e faça-a com determinação

Você dará sua contribuição para que a Terra continue sendo um lugar muito bom para se morar.

  • Calibrar os pneus (25.0 kg/mês)
  • Desligar o computador ( 3.12 kg/mês)
  • Economizar papel ( 8.0 kg/mês)
  • Lembrar de apagar as luzes ( 8.0 kg/mês)
  • Optar pelo transporte coletivo ( 19.4 kg/ mês)
  • Plantar uma árvore ( 6.33/kg mês)
  • Reciclar ( 9.6 kg/mês)
  • Regular o motor do carro ( 25.0 kg/mês).
  • Usar canecas em vez de copos plásticos ( 0.71 kg/mês)
  • Usar lâmpadas fluorescentes ( 12.48 kg/mês)
  • Usar o varal para secar roupas ( 10.92 kg/mês)
  • Usar um pouco menos o ar condicionado ( 10.4 kg/mês)

** o número de quilogramas indicado após cada Ação representa o quanto de gás CO2 deixa de ser emitido ao praticá-la.

Computadores descartados pela Europa envenenam crianças na África


Os cidadãos do Ocidente jogam fora milhões de computadores velhos todos os anos. Centenas de milhares deles acabam na África, onde as crianças procuram ganhar a vida vendendo peças velhas das máquinas. Mas os elementos tóxicos presentes no lixo as estão envenenando lentamente.

Segundo a Bíblia, Deus lançou uma chuva de fogo e enxofre para destruir as cidades de Sodoma e Gomorra. E as autoridades governamentais de Accra, em Gana, também passaram a chamar de "Sodoma e Gomorra" uma parte da cidade afetada por produtos tóxicos de um tipo que os moradores das cidades bíblicas jamais poderiam imaginar. Ninguém vai a esse local, a menos que isso seja absolutamente necessário.

Uma fumaça ácida e negra passa sobre os barracos da favela. As águas do rio também são pretas e viscosas como óleo usado. Elas carregam gabinetes de computador vazios para o oceano. Nas margens do rio veem-se fogueiras alimentadas por isopor e pedaços de plástico. As chamas consomem o material plástico de cabos, conectores e placas-mãe, deixando intactos apenas o metal.

Hoje há um vento que faz com que a fumaça dessas fogueiras infernais passem lentamente por sobre a terra. Respirar muito profundamente é doloroso para os pulmões, e as pessoas que alimentam as fogueiras às vezes dão a impressão de serem apenas silhuetas vagas e enevoadas.

Uma figura pequena e curvada caminha entre as fogueiras. Com uma mão, o garoto arrasta um alto-falante velho pela terra e as cinzas, puxando-o por um fio. Com a outra mão ele segura firmemente uma bolsa.

O alto-falante e a bolsa são as únicas posses do garoto, além da camiseta e as calças que ele usa. Ele tem um nome incomum: Bismarck. O garoto tem 14 anos, mas é pequeno para a idade. Bismarck vasculha a terra em busca de qualquer coisa que os garotos mais velhos possam ter deixado para trás após queimarem uma pilha de computadores. Podem ser pedaços de cabo de cobre, o motor de um disco rígido, ou peças velhas de alumínio. Os ímãs do seu alto-falante também capturam parafusos ou conectores de aço.

Bismarck joga tudo o que encontra dentro da bolsa. Quando a bolsa estiver cheia até a metade, ele poderá vender o metal e comprar um pouco de arroz, e talvez também um tomate, ou até mesmo uma coxa de galinha grelhada em uma fogueira acesa dentro do aro de um carro velho. Mas o garoto diz que hoje ainda não encontrou o suficiente. Ele desaparece novamente na fumaça.

O refugo da era da internet

Esta área próxima a Sodoma e Gomorra é o destino final dos computadores velhos e outros produtos eletrônicos descartados de todo o mundo. Há muitos lugares como este, não só em Gana, mas também em países como Nigéria, Vietnã, Índia, China e Filipinas. Bismarck é apenas um de talvez uma centena de crianças daqui, e de milhares do mundo inteiro.

Essas crianças vivem em meio ao refugo da era da internet, e muitas delas podem morrer por causa disso. Elas desmancham computadores, quebrando telas com pedras, e a seguir jogam as peças eletrônicas internas em fogueiras. Computadores contêm grandes quantidades de metais pesados e, à medida que o plástico é queimado, as crianças inalam também fumaça carcerígena . Os computadores dos ricos estão envenenando os filhos dos pobres.

A Organização das Nações Unidas (ONU) calcula que até 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico são jogadas anualmente no lixo em todo o mundo. O custo para se reciclar apropriadamente um velho monitor CRT na Alemanha é de 3,50 euros (US$ 5,30 ou R$ 9,20). Mas o envio do mesmo monitor para Gana em um contêiner de navio custa apenas 1,50 euro (R$ 3,80).

Um tratado internacional, a Convenção de Basileia, entrou em vigor em 1989. O tratado baseia-se em um conceito justo, proibindo os países desenvolvidos de enviarem computadores que foram para o lixo aos países subdesenvolvidos. Até o momento 172 países assinaram a convenção, mas três deles ainda não a ratificaram: Haiti, Afeganistão e Estados Unidos. Segundo estimativas da Agência de Proteção Ambiental norte-americana, cerca de 40 milhões de computadores são descartados todos os anos somente nos Estados Unidos.

Diretrizes da União Europeia com acrônimos como WEEE (sigla em inglês de Lixo de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos) e RoHS (Restrição a Substâncias Perigosas) seguiram-se à Convenção de Basileia, e países individuais transformaram-na em lei. As leis relativas à administração de lixo na Alemanha estão entre as mais estritas do mundo, e neste país o envio de computadores descartados a Gana pode dar cadeia. Em tese.

Contra-atacando


Mike Anane, um ativista ambiental e coordenador local da organização internacional de direitos humanos FIAN, trouxe os membros do Greenpeace para cá. Anane nasceu aqui há 46 anos, bem ao lado de onde hoje em dia se situa Agbogbloshie. Naquela época, as margens dos rio eram repletas de prados verdes e de flamingos, e os pescadores tiravam o seu sustento do rio. Agora não existe vida nessas águas.

Oito anos atrás, Anane começou a perceber a chegada de uma quantidade cada vez maior de caminhões em Agbogbloshie, com as carrocerias repletas de computadores. Ele observou a situação de perto e passou a contra-atacar aquilo que viu. Anane coleta adesivos de procedência de vários computadores descartados para descobrir de quem são os venenos queimados aqui. Ele possui adesivos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, de autoridades britânicas e de companhias como o Banco Barclays e a British Telecom. "Algumas crianças daqui não chegarão aos 25 anos de idade", acredita Anane.

Ele sabe, porém, que as companhias e organizações cujos selos chegam aqui juntamente com os equipamentos descartados não são os agentes que de fato trazem esse lixo para o seu país. As pessoas diretamente envolvidas são comerciantes como Michael Ninicyi, diretor da Kofi Enterprise.

A Kofi Enterprise é uma pequena loja repleta de computadores. Os melhores produtos são velhas máquinas Pentium vendidas por US$ 90 (R$ 156), incluindo um leitor de DVD. Impressoras e copiadoras são exibidas sob uma cobertura amarela na frente da loja - todas as máquinas são provenientes da Alemanha, segundo Ninicyi. Um exemplar do jornal "Berliner Morgenpost", usado para proteção contra arranhões, encontra-se dobrado entre dois computadores. Algumas das máquinas ainda trazem os adesivos de companhias cujas sedes ficam, por exemplo, na pequena cidade alemã de Kleve, no Estado de Brandenburgo ou no de Rhineland. Todos esses produtos funcionam e são legais.

"Por que vocês não interrompem o fluxo de lixo?"


"Esse processo está cada vez mais rápido, e nós estamos sendo esmagados", queixa-se John Pwamang, diretor do Centro de Gerenciamento e Controle de Produtos Químicos da Agência de Proteção Ambiental de Gana. A agência está localizada em um prédio de concreto em péssimas condições. A caminho do escritório de Pwamang, os visitantes precisam subir primeiro uma escada que no passado deve ter sido verde, e a seguir passar por um banheiro com defeito e uma sala de conferência de cortinas marrons esfarrapadas. Na sala há três depósitos de lixo - um marrom, para papel, um cinza, para plástico, e um outro marrom para tudo mais. Entretanto, o país não conta com um sistema de reciclagem de lixo em funcionamento. Ao que parece a agência de Pwamang ainda tem alguns problemas pela frente.

Os olhos de Pwamang são pouco visíveis por trás das grossas lentes bifocais. Ele fala suavemente, o que o ajuda a parecer mais tranquilo do que realmente é. "Vocês europeus não mudam", reclama ele. "O que deveríamos fazer com os produtos tóxicos que vocês nos mandam? Não temos como reciclá-los. Vocês possuem as instalações para isso. Computadores que funcionam não são nenhum problema, mas muitas das máquinas velhas demais não duram nem um ano aqui. Por que vocês não interrompem o fluxo de lixo?".

Pwamang não tem como provar que o chumbo e as dioxinas estão matando as crianças. Quase ninguém com mais de 25 anos trabalha nas fogueiras às margens do rio de águas pretas. E não existe estudo algum sobre o problema. O Greenpeace identificou e quantificou as toxinas, mas a organização não examinou os efeitos diretos delas. "As crianças estão doentes", afirma Pwamang. "Temos aqui metais pesados e venenos. Um estudo seria bom, mas mesmo sem nenhum estudo eu sei que a situação é desastrosa."

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Eliminar outros gases pode ser a saída


Acordos para redução na emissão de gases que provocam o aquecimento global poderiam dar mais certo se especificassem o gás a ser combatido. O acordo de Montreal, criado para eliminar metade dos gases causadores do buraco na camada de ozônio em 12 anos, foi muito bem sucedido. Reduziu em uma década para zero a emissão desse tipo de gás. Foi o equivalente a eliminar 189 bilhões de toneladas de CO2.

Enquanto isso, o protocolo de Kyoto eliminou aproximadamente 10 bilhões de toneladas. O CO2 é causador de apenas metade do aquecimento global. Eliminar outros gases pode ser mais fácil e eficiente.

O gás metano é majoritariamente produzido por animais e é responsável por 10% do aquecimento global feito pelo homem. O gás conhecido como carbono negro é o maior responsável pelo degelo no Ártico. Como fica pouco tempo na atmosfera, caso sua emissão fosse eliminada, os efeitos seriam imediatos.

UE pressiona Estados Unidos e China


A União Europeia (UE) deu sinais de que pretende recuar de sua proposta de redução de 30% da emissão de CO2. A proposta de redução feita pelos Estados Unidos e a China, que emitem 40% dos gases, não teria sido o bastante para incentivar os 27 países que formam o bloco.

De acordo com especialistas, a UE estaria ameaçando recuar de sua proposta para forçar a China e os Estados Unidos a se comprometerem com metas mais radicais de redução.

A proposta dos Estados Unidos de reduzir suas emissões em 17% em níveis de 2005, algo como 3% em níveis de 1990, colocaria as empresas europeias em desvantagem, já que elas devem reduzir sua emissão em 20% em níveis de 1990.

Quem está disposto a pagar para deter o aquecimento

Cientistas estimam que para conter o aquecimento global seria necessária uma diminuição de 25% a 40% nas emissões de CO2. No momento, o número oferecido pelos países é de 15%, sendo que os Estados Unidos eferecem apenas 4%. O preço a se pagar para evitar o aquecimento fica em aproximadamente 1% do PIB. Por volta de 40% dos habitantes dos países pesquisados estão dispostos a pagar o preço.

Veja abaixo no gráfico da Economist:

ClimateChange_Economist

domingo, 6 de dezembro de 2009

Harmonía fractal

Baseado na teoria de que as formas fractais são mais apropriadas para explicar a formação e expansão dos ambientes naturais, o Conselho Superior de Investigação Científicas espanhol bancou a produção das imagens, de um livro e página na Internet sobre o projeto, tão surpreendente quanto o video abaixo.



As fotografias foram feitas por Héctor Garrido e a direção científica ficou a cargo de Juan Manuel García Ruiz. Veja mais aqui.