segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Saúde e meio ambiente
Começou nesta quarta-feira e vai até sábado, em Brasília, a 1ª Conferência Nacional de Saúde Ambiental (CNSA). O momento não poderia ser mais propício. Na segunda-feira, o governo americano anunciou na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 15), em Copenhague, na Dinamarca, que a Agência Ambiental Americana (EPA) classificou os gases do efeito-estufa como gases nocivos à saúde humana.
A decisão é importantíssima, em primeiro lugar porque dá ao governo Obama o reforço necessário para recuperar o atraso nas medidas indispensáveis para reduzir as emissões americanas de gases poluentes. Mas seu impacto ultrapassa a política interna dos Estados Unidos. Ao reconhecer que o padrão de emissões é uma grave questão de saúde pública, além de ser uma questão ambiental global, o país pressiona positivamente os demais a aprofundar o debate.
Nesses dias em que o mundo aguarda com expectativa o que ficará definido após a COP 15, iniciativas desse tipo colaboram para que as negociações andem, na medida em que dão suporte à integração de informação e ação entre governos e sociedade. No caso, é o impulso que faltava para dar o devido peso à interação entre saúde e meio ambiente - ou falta de saúde e degradação ambiental - nas discussões nacionais e internacionais.
Há muito tempo estudos vêm indicando a relação direta entre problemas ambientais e de saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 24% das doenças e 23% das mortes prematuras são fruto de problemas ambientais. E há muito se reconhece o impacto na saúde pública das chamadas doenças de veiculação hídrica, decorrentes da poluição dos cursos d'água, sobretudo pela falta de saneamento básico e mau uso do solo.
É por isso que a CNSA é tão importante. As políticas públicas devem ser construídas de forma coletiva e dirigidas a uma nova realidade socioambiental. O tema deste encontro é "A saúde ambiental na cidade, no campo e na floresta: construindo cidadania, qualidade de vida e territórios sustentáveis". São esperados 959 delegados eleitos nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal (DF).
Trata-se de uma conseqüência do que vem sendo feito pelos Conselhos Nacionais de Saúde, Cidades e Meio Ambiente e respaldado também em suas respectivas conferências nacionais, para dar seqüência à formulação de diretrizes que deverão orientar a política de saúde e ambiente do governo de uma maneira geral.
A temática geral foi estruturada por meio de três eixos. O primeiro, classificado como "Desenvolvimento e sustentabilidade socioambiental no campo, na cidade e na floresta", com o objetivo de desenhar um pouco a realidade desses territórios. O segundo "Trabalho, ambiente e saúde: desafios dos processos de produção e consumo nos territórios" para avaliar o impacto dos processos produtivos o meio ambiente e a saúde humana. E o último, denominado "Democracia, educação, saúde e ambiente: políticas para a construção de territórios sustentáveis", vai induzir a formulação de propostas para o enfrentamento desses problemas.
Para saber mais sobre o que está sendo discutido na Conferência, consulte o site do evento (www.saude.gov.br/svs/cnsa) e leia o Caderno de Textos.
O quão longe estamos de um acordo significativo?
Se dependesse de Tuvalu, pequeno país ilha, ligado à Aliança de Pequenos Estados Insulares (AOSIS), a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15) teria um acordo mais justo, não apenas para a sobrevivência das pequenas e mais vulneráveis nações do planeta, mas para todos nós.
A sugestão de que as emissões dos países ricos devem ser cortadas em 45% em 2020, com relação ao ano de 1990, e, que a concentração das emissões de gases do efeito estufa na atmosfera não deve passar de 350 partes por milhão, pode parecer fantasia para muitos líderes das 192 nações reunidas em Copenhague. Mas para outros, a proposta da AOSIS representou a voz de milhares de pessoas evidentemente ameaçadas com os efeitos do aquecimento global.
Fato é que o texto da AOSIS foi apoiado por várias nações africanas e outros países-ilhas, que exigem a aprovação de um documento vinculante, obrigatório para todos os países e mais severo que o Protocolo de Kyoto.
Houve repercussão e, pela primeira vez desde o início da COP15, foi apresentado nesta sexta-feira (11/12) o primeiro desenho de um possível acordo na Conferência Mundial do Clima.
O documento basicamente preserva os compromissos assumidos pelos países que assinaram o Protocolo de Kyoto. É aí que o sonho começa a virar pesadelo. Em primeiro lugar, ainda paira no ar a (incômoda) discordância de muitos países em relação às metas de redução de gases do efeito estufa e as condições para que isso aconteça de fato. Em segundo, e mais importante, os Estados Unidos, maior emissor histórico dos gases de efeito estufa, não se comprometeu com Kyoto. Mais: até o momento, o país nem sequer apresentou suas metas em Copenhague.
As boas intenções do premiado presidente Barack Obama viram um sonoro “não” quando se trata de aceitar outro protocolo como o de Kyoto ou homologar o atual. As alternativas para reverter o impasse são difíceis.
A primeira - convocar para o primeiro semestre de 2010 uma prorrogação desta reunião (a COP15) -, na prática, seria quase impossível por coincidir com a Copa do Mundo de Futebol, que será realizada entre junho e julho do ano que vem, na África do Sul, um país importante no grupo dos “emergentes”. A segunda, deixar tudo para a COP16, em dezembro de 2010, no México, certamente provocaria uma enorme decepção, dada a urgência das questões e as pressões crescentes da sociedade em toda parte.
Parece que não há nada melhor do que esperar (e torcer). Inevitável, contudo, lembrar que ainda há poucos dias a Organização Meteorológica Mundial advertiu que esta primeira década do século XXI está sendo e será a mais quente desde 1850, com temperatura média superior à da década de 1990 (que já fora mais quente que a de 1980).
Há uma corrida contra o tempo, que não está sendo ganha.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Esboço cita corte de 15% a 30% de CO2 para país em desenvolvimento
O primeiro rascunho oficial de acordo a ser fechado pelas 193 nações representadas na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 15 , diz que os países em desenvolvimento devem tomar ações de mitigação apoiadas pelos países ricos para atingir uma redução "substancial" das emissões - entre 15% e 30% até 2020 em relação ao que emitiriam se nada fosse feito. Mas o texto reconhece que a redução nestes países "depende do nível de apoio disponível".Caso esse dispositivo sobreviva aos debates e polêmicas e seja finalmente aprovado na conclusão da Conferência de Copenhague, o "compromisso voluntário" do Brasil vai se confirmar de fato ambicioso.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou no dia 13 de novembro que o Brasil se compromete voluntariamente a reduzir as emissões nacionais de gases causadores do efeito estufa em 36,1% a 38,9% até 2020 em relação ao que poluiria se nada fosse feito. (Calculada a tendência de emissão de dióxido de carbono e outros similares na próxima década, o Brasil vai tentar contê-la, adotando ações para que o tamanho do estrago ambiental fique menor do que seria se o governo não fizesse nada.)
Compromisso mínimo do Brasil (36,1%) é superior ao máximo inscrito no esboço (30%)
O rascunho segue as recomendações publicadas há dois anos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) e insiste em que os países industrializados cortem suas emissões de gases causadores do efeito estufa em 25% a 40% até 2020, na comparação com 1990. Até 2050, a meta seria cortar as emissões em 50%.
O objetivo dos cortes é conter a alta da temperatura neste século em até 2°C. Em um gesto para agradar aos pequenos países-ilha, para os quais até mesmo esse teto já seria perigoso demais, o texto, diplomaticamente, afirma que é preciso limitar o aumento da temperatura entre "1,5°C e 2°C".
O financiamento das ações contra emissões nos países pobres é um dos pontos mais polêmicos da COP 15.
O texto explicita que a principal fonte de financiamento devem ser "recursos novos e adicionais oferecidos pelos países desenvolvidos", mas não cita valores.
Está previsto ainda no rascunho a criação de um mecanismo para transferência de tecnologias de redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas entre os países.
O texto inclui o que foi negociado até o momento para posteriores trabalhos dos países participantes, disse na véspera o negociador-chefe do Brasil, embaixador Luiz Alberto Figueiredo.
Segundo ele, o objetivo é que seja "um texto que possa contar com o máximo possível de equilíbrio, de modo que as partes se sintam representadas e confortáveis em trabalhar sobre ele".
Criado fundo de mudança climática na COP-15
O documento final ainda não saiu, mas eu soube de um avanço na mesa de negociações. Foi criado um fundo de mudança climática, para financiar ações de longo prazo, sob autoridade da Conferência das Partes (COP) e não do Banco Mundial, como se pensou inicialmente.
É um avanço importante que os participantes tenham aceitado que seja um fundo de ações de longo prazo. Os países ricos vinham tentando evitar isso. O fundo terá várias janelas. Uma vai financiar ações de mitigação, ou seja, de combate às mudanças climáticas. Isso nos interessa porque aí estão as ações de proteção da floresta.
Depois, há uma janela para adaptação. Isso interessa mais os pobres. Tem também uma janela para tecnologia. Tudo ainda está complicado. Os pontos estão sendo negociados. Um ponto delicado são as metas.
Foi criado o fundo, mas os dois pontos mais importantes não estão decididos ainda: quanto dinheiro haverá no fundo e quem vai colocar dinheiro nesse fundo. Há duas opções em discussão: que só os países ricos coloquem dinheiro no fundo e que os países emergentes, principalmente a China, também contribuam.
A situação está tão complexa que o secretário-geral da Conferência, Yvo de Boer, deu uma entrevista ao jornal "O Globo", dizendo que podem sair dois documentos de Copenhague: um com a prorrogação do Protocolo de Kyoto e outro colocando os Estados Unidos na meta.
Brasil pode ser o mais afetado com o aquecimento global

O Brasil deve sofrer mais com o aquecimento global que o restante do mundo. De acordo com estudo realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em parceria com Met Office Hadley Centre, da Grã-Bretanha, o país deve ser afetado 20% a mais que a média global, principalmente, quanto aos níveis de pluviabilidade.
Tais problemas incluem prejuízos econômicos que poderiam ser desastrosos, já que a produção de energia elétrica seria bastante afetada com a redução do volume de chuvas, no qual 70% da energia é gerado por hidrelétricas.
O clima também pode ficar mais quente e seco, devido ao risco de mais desmatamento. As projeções são de para 2°C a mais de temperatura podem causar a bacia amazônica perda 12% do volume de chuvas e a de São Francisco uma redução de 15%.
Emissões devem ser reduzidas à metade até 2050
O esboço da declaração final da Conferência do clima de Copenhague foi divulgado nesta sexta-feira, 11. De acordo com o texto, as emissões de gases do efeito estufa deverão ser reduzidas à metade até 2050. Os números se baseiam nos níveis de emissão em 1990.
Já os números de emissões globais que devem cair ainda não foram definidos, porém os índices de queima de combustíveis fósseis podem reduzir 50%, 85% e até 95%, conforme o esboço. Há também a sugestão de que até 2020 se estabeleça uma redução intermediária de até 45%.
Mas países em denvolvimento, como o Brasil, não concordaram com os índices e alegaram prejuízo no crescimento econômico. A cúpula promovida pela ONU se encerra na sexta-feira, 18.
Reprodução da vida marinha diminui 25% no planeta
assista a reportagem:
ou leia, se preferir:
De novo a culpa é dos combustíveis fósseis, que quando queimados liberam gás carbônico ou dióxido de carbono. Parte desses gases vai para a atmosfera, provocando o efeito estufa.
Outra parte precipita, cai nos mares, e deixa a água mais ácida. Cerca de 30% mais do que antes da Revolução Industrial.
Essa acidez interfere com o sistema natural de navegação das baleias e golfinhos. Eles usam o som para se localizar, e o som ele viaja mais rápido e mais longe em águas ácidas.
Além disso, afeta toda a vida marinha, porque prejudica fortemente a produção de plânctons, organismos muito pequenos que estão na base da alimentação nos mares.
Algas e pequenos crustáceos podem não resistir, e como elas alimentam as espécies que servem de alimento para nós, humanos, como as sardinhas e o salmão, essas espécies correm risco de extinção.
Para garantir que esse alerta não vai ficar confinado nas paredes do centro de convenções de Copenhague, os cientistas mandaram imprimir 32 mil cópias do relatório, que serão distribuídas a governantes e legisladores no mundo inteiro.
Os primeiros a receber serão os senadores americanos, que ainda não aprovaram um projeto com metas de redução dos gases.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Emergentes pedem que ricos assinem lei de emissões
Os principais países emergentes do mundo querem que seja anexado ao Protocolo de Kyoto uma emenda “com força de lei”. A China lidera o grupo que pede que os países desenvolvidos reduzam 40% das emissões de gases causadores do efeito estufa, com base nos índices de 1990.
As informações foram retiradas de um documento ao qual a agência “France Presse” teve acesso. O rascunho foi finalizado em 30 de novembro em um encontro fechado em Pequim que reuniu China, Brasil, Índia e África do Sul. Esta é uma resposta dos países em desenvolvimento a outro acordo apresentado pela Dinamarca.
A meta proposta pelo grupo é não deixar que as temperaturas globais não aumentem mais de 2ºC até 2100. A base para o documento são as temperaturas registradas antes da Era Industrial. Os países desenvolvidos concordam com a meta pedida. No entanto, o grupo pede que os países ricos multipliquem por oito, até 2020, a promessa de reduzir as emissões de CO2 em 5% até 2012.
Alemanha ativa supercomputador para estudar mudança climática
'Blizzard' tem a missão de calcular futuras alterações e catástrofes no clima.
É o maior supercomputador destinado à pesquisa climática.
O Centro Alemão de Cálculo Climático (DKRZ, na sigla em alemão) colocou nesta quinta-feira (10) em funcionamento o supercomputador "Blizzard" (Nevasca), cuja missão será calcular futuras mudanças climáticas e, inclusive, prever todo tipo de fenômenos catastróficos, como furacões ou tornados.
Com um peso de 35 toneladas, o "Blizzard" utiliza em seu trabalho 8.448 microprocessadores, com os quais alcança uma velocidade de 158 teraflops por segundo, o que faz com que seja 60 vezes mais rápido que seu antecessor, e 20 mil vezes mais rápido que um computador convencional.
O arquivo do supercomputador, o maior do mundo para armazenamento de dados climáticos, pode armazenar mais de 60 petabytes, o que equivale a cerca de 13 milhões de DVDs.
Um total de 56 braços robotizados são encarregados de buscar as informações armazenadas em 65 mil contas magnéticas com os dados arquivados pelo "Blizzard", que tem cerca de 50 quilômetros de cabo unindo seus componentes.
Além das mudanças na atmosfera e os oceanos, o "Blizzard" calcula também processos no gelo, na terra e nas vegetações, assim como sua influência no efeito estufa.
O computador teve um custo de 35 milhões de euros, fornecidos pelo Ministério de Investigação e Ciência, enquanto a modernização do edifício que o abriga custou 26 milhões de euros à cidade de Hamburgo.
A metade do tempo de trabalho do computador é dedicada às pesquisas do próprio DKRZ, enquanto a outra metade é utilizada por cerca de 100 de grupos de trabalho científico da Alemanha.
O instituto de Hamburgo reconheceu que o "Blizzard" tem grande consumo de energia, mas ressaltou que toda ela tem origem renovável.
Metade das emissões de gases-estufa do Brasil vem da pecuária, diz estudo
CO2 emitido por kg custa mais que a própria carne.
A pecuária emite metade dos gases causadores do efeito estufa liberados pelo Brasil a cada ano.
Além disso, implantação de novas pastagens abocanha três quartos da área desmatada na Amazônia e 56,5% no Cerrado.
Os principais dados da pesquisa, cuja íntegra ainda será publicada em revista científica internacional, foram divulgados nesta quinta-feira (10) e serão apresentados em duas reuniões sábado (12) na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP 15 . Os autores (ao todo, dez especialistas) ressaltam que suas conclusões “não representam necessariamente” a posição das instituições em que atuam.
Clique aqui para baixar o inventário em pdf.
Ocorre que no inventário oficial as emissões são divididas por grandes grupos, como energia, processos industriais, mudança no uso da terra e florestas etc. “A diferença desse estudo em relação às abordagens estatísticas tradicionais é que elas dividem as emissões por categorias, e nossa abordagem é pela cadeia de um produto específico”. “Então ela é transversal, porque envolve uso da terra e fermentação entérica (basicamente, arroto de boi e vaca), por exemplo, processos que estão separados no inventário.”
Assim, é a primeira vez que a chamada “pegada de carbono” de um produto específico, no caso a carne bovina, é calculado. Pegada de carbono é a quantidade de gás-estufa liberada direta ou indiretamente por uma certa atividade. O interessante desses dados é que eles podem começar a traduzir toda a situação para o consumidor.
Essa é a diferença de ter números sobre categorias e números sobre produtos: 1 quilo de carne industrializada significa 300 quilos de gás-estufa emitido, e esses 300 kg custam R$ 10 no mercado de carbono. É mais do que o custo da própria carne por quilo no atacado (o kg do dianteiro custa R$ 3,60; do traseiro, R$ 5,90)”, disse o especialista.
Ou seja: Frigorífico pode fazer mais dinheiro vendendo redução de carbono do que vendendo a própria carne.
Metade das emissões de gases-estufa do Brasil vem da pecuária, diz estudo
‘Pegada de carbono’ da carne bovina foi calculada pela 1ª vez.
CO2 emitido por kg custa mais que a própria carne, comenta pesquisador.
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Frigorífico pode fazer mais dinheiro vendendo redução de carbono do que vendendo a própria carne"
A pecuária emite metade dos gases causadores do efeito estufa liberados pelo Brasil a cada ano.
Além disso, implantação de novas pastagens abocanha três quartos da área desmatada na Amazônia e 56,5% no Cerrado.
Resultado de cinco meses de trabalho, os números, inéditos, são de estudo coordenado por Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira.
Os principais dados da pesquisa, cuja íntegra ainda será publicada em revista científica internacional, foram divulgados nesta quinta-feira (10) e serão apresentados em duas reuniões sábado (12) na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP 15 . Os autores (ao todo, dez especialistas) ressaltam que suas conclusões “não representam necessariamente” a posição das instituições em que atuam.
O levantamento verificou que em 2005 a emissão de gases-estufa (GEE) da pecuária representou 48% do total brasileiro. A atividade emitiu 1,055 bilhão de toneladas de GEE sobre 2,203 bilhões do total nacional, número do tão esperado inventário brasileiro de emissões, divulgado só recentemente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia .
Clique aqui para baixar o inventário em pdf.
Ocorre que no inventário oficial as emissões são divididas por grandes grupos, como energia, processos industriais, mudança no uso da terra e florestas etc. “A diferença desse estudo em relação às abordagens estatísticas tradicionais é que elas dividem as emissões por categorias, e nossa abordagem é pela cadeia de um produto específico”, explicou Smeraldi ao G1. “Então ela é transversal, porque envolve uso da terra e fermentação entérica (basicamente, arroto de boi e vaca), por exemplo, processos que estão separados no inventário.”
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1 quilo de carne industrializada significa 300 quilos de gás-estufa emitido, e esses 300 kg custam R$ 10 no mercado de carbono"
Assim, é a primeira vez que a chamada “pegada de carbono” de um produto específico, no caso a carne bovina, é calculado. Pegada de carbono é a quantidade de gás-estufa liberada direta ou indiretamente por uma certa atividade. “O interessante desses dados é que eles podem começar a traduzir toda a situação para o consumidor, a dona de casa, o investidor”, comentou Smeraldi, que viaja hoje para Copenhague.
“Essa é a diferença de ter números sobre categorias e números sobre produtos: 1 quilo de carne industrializada significa 300 quilos de gás-estufa emitido, e esses 300 kg custam R$ 10 no mercado de carbono. É mais do que o custo da própria carne por quilo no atacado (o kg do dianteiro custa R$ 3,60; do traseiro, R$ 5,90)”, disse o especialista.
Surge a proposta por um ‘fundo verde’

Seriam bilhões de dólares para ajudar os países pobres a combater as alterações climáticas.
A proposta foi apresentada na conferência do clima, em Copenhague, em um documento conjunto assinado por Grã-Bretanha, Austrália, México e Noruega, no qual se diz que “o financiamento terá de ser ampliado significativa e urgentemente, começando rápido e aumentando com o tempo”.
De acordo com a proposta, pelo menos metade do dinheiro arrecadado seria usado para ajudar aos países em desenvolvimento a lidar com secas, enchentes e o aumento do nível do mar. A ONU estima que, no longo prazo, o custo anual do combate ao aquecimento global pode chegar a US$ 300 bilhões.
Palin e Gore em polêmica sobre aquecimento
O ex-vice-presidente e ganhador do prêmio Nobel da Paz, Al Gore, criticou o pedido da ex-governadora do Alasca, Sarah Palin, para que Barack Obama boicotasse a conferência sobre o clima em Copenhague. Palin afirmou que cientistas manipularam dados para provar que o aquecimento global é causado pelo homem.
A ex-governadora se referiu ao caso do vazamento de emails em que cientistas discutiam métodos para manipular os índices de temperatura, no escândalo que ficou conhecido como Climategate. Gore afirmou que o aquecimento global é um fenômeno estudado há 20 anos, e é “como a gravidade. Existe.”
O vazamento dos emails criou uma controvérsia internacional sobre o tema do aquecimento. Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, afirmou que as questões levantadas pelo vazamento dos emails são sérias e serão investigadas.
Câmara aprova projeto que torna lei meta de redução de gases do efeito estufa
Decreto presidencial vai definir ações para alcançar objetivo de redução. Política Nacional sobre Mudança do Clima prevê meta de até 38,9%.
A Câmara dos Deputados aprovou na madrugada desta quinta-feira (10) a Política Nacional sobre Mudança do Clima. Foi aprovada uma emenda do Senado que define em lei a meta de redução de gases do efeito estufa estabelecida pelo governo federal entre 36,1% e 38,9% até 2020, tendo como base as emissões que seriam feitas até lá. Caberá ao presidente da República, por meio de decreto, apontar ações que serão realizadas para cumprir o compromisso de reduzir as emissões. Este percentual deverá ser apresentado pelo Brasil na Conferência sobre o Clima que acontece em Copenhague, na Dinamarca, nesta semana.
O texto aprovado pelo Congresso afirma que a meta é um compromisso voluntário e que as ações para se alcançar o percentual almejado terão que atender o Inventário Brasileiro de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo de Montreal, a ser concluído em 2010.
Nesta terça-feira (8), o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que o Brasil vai manter a meta anunciada para o encontro de Copenhague, mas que exigirá financiamento dos países desenvolvidos para cumpri-la.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Confira as emissões e propostas de corte de CO2 de um grupo de países
Metas de redução podem ser projetos de lei ou meros anúncios.
Veja mais aqui:
Mudanças climáticas afetam o mapa do planeta
Simulação aponta mudanças no planeta com 3°C a mais.
Assista a reportagem abaixo:
Ou se preferir, leia:
O topo de uma palmeira é a lembrança de que ali havia terra firme. A ilha de Ghoramara, na Índia, já perdeu metade do território e pode, em breve, sumir da face da Terra. Sete mil habitantes foram embora e outros estão preparando a partida.
No Japão, a ameaça também vem do mar: há sete anos, águas vivas gigantes, de até dois metros de comprimento, infestam algumas regiões litorâneas, prejudicam a pesca e provocam queimaduras nos pescadores. Elas existiam somente na China, mas migraram para o local e se proliferaram.
Um professor da universidade de Hiroshima diz que há várias causas. Entre elas, a elevação da temperatura da água causada pelo aquecimento global.
Na China, os sinais estão no alto das montanhas. As geleiras do Tibete diminuem 20 metros a cada ano desde 1990.
O Japão tem alguns dos centros de previsão e pesquisas climáticas mais avançados do mundo e está usando a tecnologia para descobrir o que vai acontecer com o planeta nos próximos anos. Um globo no museu de ciências de Tóquio mostra o aquecimento da terra até o ano 2100. É uma visão do futuro, um futuro nada animador.
Os cientistas japoneses estão usando um supercomputador, que ocupa um andar inteiro de um prédio, para calcular os efeitos do aquecimento global.
Com isso, eles simulam o que vai mudar em cada ponto do planeta com o possível aumento de 3ºC na temperatura até o fim do século.
Uma das conclusões: o número de tufões na Ásia e de furacões na América do Norte vai cair de 80 por ano, em média, para 66. Em compensação, a força do vento no epicentro vai aumentar em até 20% e as chuvas em até 60%.
Rota
Akio Kitoh, diretor do departamento de pesquisas sobre o clima do Instituto de Pesquisas Meteorológicas, diz que eles também vão mudar de rota. Esse é o próximo passo da pesquisa: descobrir onde os tufões e furacões, mais violentos que os de hoje, vão passar.
Os cientistas japoneses também fizeram previsões para o Brasil. No Nordeste, os dias consecutivos de seca que, segundo ele, hoje são 100 por ano, em média, podem chegar a 130 em algumas áreas. No Centro-Sul do país, as chuvas que castigam a região no verão vão aumentar de intensidade.
O professor diz que parte do aquecimento é inevitável, é um ciclo do planeta, que foi acelerado pela ação do homem. E que, por isso os países têm que se preparar.
“Mas, se queremos diminuir esses efeitos, temos que fazer a nossa parte”, conclui ele.
Bolívia cobra ‘dívida ecológica’ em Copenhague
Evo Morales quer que ricos paguem aos mais pobres pelo excesso de poluição em vez de lhes cobrar a dívida externa.
O presidente boliviano disse que levará a ideia à reunião da ONU sobre mudanças climáticas. Morales considera que os países pobres são os que mais têm sofrido com inundações, descongelamentos e outras consequências do aquecimento global.
Muitos países sul-americanos têm grandes dívidas externas, tanto com nações desenvolvidas quanto com organismos multilaterais. Evo Morales, que culpa as “nações capitalistas” pelo aquecimento global, garante que sua proposta é séria.
Documento vazado provoca caos em negociações
Um documento vazado na última terça-feira, 8, criou caos nas negociações sobre aquecimento global que acontecem desde o início da semana em Copenhague. Conhecido como “texto dinamarquês”, o documento seria um acordo criado por países ricos para tirar a Organização das Nações Unidas (ONU) da negociação e colocar limites sobre as emissões dos países em desenvolvimento.
Supostamente criado pela Dinamarca, Estados Unidos e Reino Unido, o texto dinamarquês não se aproxima da meta de 40% de redução inicialmente proposta pela ONU, mas prevê medidas para ajudar os países pobres com US$ 10 bilhões ao ano de 2012 a 2015.
O texto muda o princípio do Tratado de Kyoto, que responsabilizava países desenvolvidos pelo aquecimento e isentava as nações em desenvolvimento de limites nas emissões de CO2. De acordo com o documento, o Tratado de Kyoto seria abandonado, o Banco Mundial cuidaria das verbas para mudança de clima e países pobres teriam que realizar diversas ações para receber dinheiro para lidar com a mudança climática.
Segundo um diplomata, o documento “é muito perigoso para países em desenvolvimento”. Eles teriam que limitar, até 2050, suas emissões para 1,44 toneladas de CO2 por pessoa, enquanto os países desenvolvidos teriam direito a 2,67 toneladas. A intenção, segundo o diplomata, seria com a chegada de Obama e outros chefes de estado na próxima semana forçar a aceitação do texto dinamarquês sem discussões.
Aquecimento Global se acelera desde 1970
Os resultados foram coletados em 1.500 estações meteorológicas que monitoram o clima de todo o mundo. Os dados demonstram que a cada década desde 1970 o aquecimento se acentua.
Hadley Centre, do escritório do Reino Unido, diz ter publicado a informação para evidenciar que o mundo está relamente se aquecendo.
Os registros de cerca de 5 mil estações devem ser divulgados tão logo sejam aprovados pelos proprietários.
Fundo Amazônia aprova os três primeiros projetos na véspera de Coppenhague

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou durante reunião do Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa), nesta quinta-feira (3/12), em Belém (PA), a aprovação dos três primeiros projetos que receberão recursos do Fundo Amazônia. Na próxima semana, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, anunciam outros três projetos agraciados.
Um dos projetos é uma proposta coordenada pela ONG Imazon, em associação com outras ONGs, que receberá R$ 12 milhões para diversos municípios do Pará. O projeto, chamado Municípios Verdes, promoverá o monitoramento, o cadastramento ambiental rural das propriedades, a adequação ambiental das atividades rurais e madeireira, entre outras ações.
Outro projeto é coordenado pela ONG The Nature Conservancy (TNC) e receberá R$ 16 milhões. Em parceira com outras instituições ambientais, serão desenvolvidas ações como recuperação de áreas degradadas, zoneamento ecológico-econômico, entre outras ações que promovam as práticas ambientais em municípios de Mato Grosso, inclusive os situados no Arco do Desmatamento.
O terceiro projeto será coordenado pela Fundação Amazonas Sustentável, do governo do Estado do Amazonas, e receberá R$ 20 milhões. O recurso recebido será revertido em pagamento por serviços ambientais às comunidades extrativistas, seringueiros e quilombolas para a recomposição de áreas ambientais degradadas, melhoria das reservas extrativistas, dentre outras atividades que promovam a conservação ambiental.
O Fundo Amazônia é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e conta com R$ 150 milhões em carteira para mais projetos que serão aprovados em janeiro e fevereiro de 2010 do total de 1 bilhão de dólares que serão aportados até 2015 pela Noruega. O Comitê Orientador do Fundo Amazônia é baseado em Belém, Pará, e reúne representantes dos governos estaduais da Amazônia Legal, do governo federal e de organizações da sociedade civil. O Fundo Amazônia ja tem um estande na COP-15 em Copenhague que começou dia 7.
